terça-feira, 3 de abril de 2012

Papai coruja

Luana já completou 5 meses. E pensar que em minhas diversas fases já afirmei não pretender casar e até mesmo não ser pai. 

Hoje não consigo imaginar como posso ter pensado dessa forma. Confesso que a idéia de chegar aos 30 anos sem ter uma família me assustou e serviu de choque para que eu acordasse e resolvesse trabalhar para ter uma.

Luana não veio no susto, mas também não veio com tudo preparado, como Roberta e eu gostaríamos. Para falar a verdade, nosso plano era nos estabilizarmos profissionalmente, casarmos, termos uma casa e, em cerca de 3 ou 4 anos, ter um bebê. Era um bom plano, mas um cisto no ovário da Roberta complicou um pouco a situação e tivemos que escolher entre uma cirurgia para remoção de um dos ovários ou uma tentativa de gravidez. Segundo a médica, a gravidez poderia fazer o cisto desaparecer e, caso isso não ocorresse, acompanharíamos de perto a gestação. Nossa escolha foi óbvia, mesmo porque uma cirurgia implicaria em recuperação, medicamentos e uma dificuldade maior para engravidar, e isso podeira consumir mais tempo do que gostaríamos.

Fiquei muito feliz com a gravidez de Roberta. Embora ela tenha ficado muito mais vulnerável e tenhamos brigado mais durante os primeiros meses, eu amei muito cada momento (mesmo ela dizendo o contrário) e tenho grande orgulho como pai e marido pela menina que tivemos.

Não ha palavras para definir o amor que sentimos pelo nascimento de nossa filha, ainda mais com o desespero que foi a semana do parto. O medo que senti e a correria que fiz atrás de um médico nesta cidadezinha (que considero uma pseudo-província) só foi compensado quando vi aquela coisinha linda no berçario, enroladinha no cobertor e já de olhos abertos. Nasceu perfeita, saudável e forte! Naquele momento chorei muito de alegria e alívio e sequer imaginava o quanto riria da alegria que ela traria para nossa família daquele momento em diante.

Nossa pequena apronta a cada dia mais travessuras e sempre com um sorriso simpático no rosto. E eu amo muito isso.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O que me faz continuar?

Quando meu dia de trabalho acaba, mesmo sendo aquele dia que tudo deu errado e sei que não terei um dia seguinte tranquilo, basta lembrar do que tenho em casa me esperando, então saberei também que tenho motivo para sorrir e isso me faz continuar, porque um momento como este não se mede e não se esquece:





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Creep, Radiohead

Creep, Radiohead
  Verso corta-pulso:

“Mas eu sou um verme / Eu sou um esquisitão / Que diabos estou fazendo aqui? / Eu não pertenço a esse lugar”

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tanto pra fazer,
metas a atingir.
 Coisas a dizer,
folhas a imprimir.

Textos sem acabar,
Idéias a compor,
O café a esfriar,
Almoço sem sabor.

O dia a correr,
trabalho a acumular.
Sem tempo a perder,
todo dia, sem parar.

Essa quarta-feira quer me matar, mas tudo bem, uma hora ela acaba e eu consigo chegar vivo em casa para ver minha família e dormir tranquilo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Primeiros relatos de um pai coruja

Esta foi a primeira noite em claro após a alta da maternidade de minha esposa e minha filha. Simplesmente não consegui dormir, mas foi por uma causa sublime.
Luana foi uma sementinha desejada e muito esperada por Roberta e eu. Não víamos a hora de ver o rostinho de nossa princesinha e estamos tão encantados pela nossa garotinha que não nos agüentamos de tanta alegria.
Um amigo disse que tudo mudaria, e que quando eu a visse pela primeira vez seria impossível não chorar pela sensação que teríamos. Ele estava certo! Não consigo deixar de chorar de felicidade quando a vejo fazendo as mais variadas caretas enquanto procura o leite na mãe.
Chorei desesperadamente no pesadelo que foi o atendimento demorado e conturbado anterior à internação, e deste fato não direi mais uma palavra neste texto, mas quando a vi pela primeira vez no berçário não pude deixar de exclamar: “Deus, como ela é linda, obrigado!” – e chorei de felicidade.
Desde então não consigo deixar de repetir para a Roberta como nossa filha é linda e chorar com um sorriso bobo de orelha a orelha. E como todo pai novato eu fico apreensivo com cada ruído, cada sinal diferente e cada movimento que ela faz.
A noite também foi muito fria, com um vento gelado daqueles que passam assoviando, portanto redobrei os cuidados e fiz questão de acompanhar o sono de minha menininha, mas ela teima em não dormir bem à noite no berço. Depois de muitas tentativas, acabamos cedendo e colocando-a entre nós dois, e assim dormiu sem interrupções durante o resto da noite.
Minha esposa também dormiu, pois estava muito cansada e, me conhecendo como conhece, sabia que eu não pregaria o olho. Estava certa também, pois não consegui descansar sabendo que Luana, aquele pedacinho de felicidade incomensurável, estava ao meu lado. Só pelo pavor de machucá-la não poderia jamais dormir relaxado e então de pouco em pouco cochilava para acordar de sobressalto e procurar imediatamente o rostinho dela e confirmar se estava tudo em ordem.
Foi uma noite de preocupação paternal, mas muito gostosa, pois não há palavras em qualquer idioma para descrever o que senti.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O destino de cada um está atrelado às decisões tomadas pelo próximo e por nós mesmos


No domingo fui à casa de minha noiva buscá-la para irmos a um aniversário. Dirigia devagar. Sempre procuro ter cuidado e agora que ela está grávida, e a poucos dias de ter nossa filha, procuro ser mais zeloso ainda.
Minha cidade é pequena – nem sequer possui semáforos – e por isso mesmo depende-se mais do respeito às leis e ao próximo do que apenas à sinalização, mas infelizmente não é o que acontece.
Peguei a avenida e continuei dirigindo tranqüilo até chegar a um ponto com um senhor em cima da faixa de pedestre, tentando atravessar. Obviamente parei o carro, pois não há tráfego nesta cidade que justifique uma falta de respeito e, aliás, era direito do cidadão ter a preferência e minha obrigação como motorista respeitá-lo.
De início ele estranhou, pois não é hábito deste povo de mente provinciana e comportamento semibárbaro o respeito ao próximo, mas iniciou a travessia. Lá no fundo, pelo retrovisor, vi um veículo em alta velocidade se aproximando. O senhor havia atravessado quase toda a frente do meu carro quando o outro motorista passou pela minha direita ignorando a faixa e o pedestre, passando a uns trinta centímetros dele.
Ainda aguardei o senhor chegar à calçada e recebi um aceno de mão, agradecendo a gentileza, enquanto o outro motorista já fazia a curva no final da avenida.
Fiquei muito irritado com a atitude do motorista. Sinceramente, gostaria de vê-lo sendo punido, mas isso foge à minha vontade. No entanto, refletindo sobre isso e voltando um pouco a história ao ponto em que parei aguardando o senhor atravessar, caso ele não tivesse vacilado os 2 ou 3 segundos  para atravessar a rua, teria sido atropelado.
Meu desejo teria se realizado de uma forma distorcida, pois o motorista seria punido, mas a um custo muito alto e então, hoje, quando escrevia estas linhas, lembrei da seguinte passagem da conversa entre Gandalf e Frodo, em O Senhor dos Anéis.

(...)
“...É uma pena que Bilbo não tenha apunhalado aquela criatura vil, quando teve a chance!
— Pena? Foi justamente Pena que ele teve. Pena e Misericórdia: não atacar sem necessidade
(...)
...Merece a morte.
— Merece! Ouso dizer que sim. Muitos que vivem merecem a morte. E alguns que morrem merecem viver. Você pode dar-lhes vida? Então não seja tão ávido para julgar e condenar alguém à morte. Pois mesmo os muito sábios não conseguem ver os dois lados."
(...)

J.R.R. Tolkien
O Senhor dos Anéis: A sociedade do Anel
Livro 1, capítulo 2

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Não sou mais o mesmo!


Para aqueles que me conheceram e ainda mantém contato a mudança foi significativa, isso eles podem ver. O fato é que, com o tempo, a cabeça muda, a forma como interagimos com o mundo muda. Certos defeitos – ou virtudes – permanecem; de uma forma geral alteramos nosso comportamento perante tudo.
E nessa mudança, toda minha agressividade e melancolia, presença marcante em meus textos, se perderam, de certa forma. Não que eu não queira voltar a escrever como antes, só não consigo enxergar um espaço para esse tipo de texto, pelo menos no momento.
Continuo com as minhas idéias, continuo com material por terminar ou começar, mas a verdade é que eu não quero mais escrever sobre essas coisas, não agora. Antes, meus textos eram minha prioridade porque era tudo o que eu tinha de importante, agora a única coisa importante e que tem prioridade é minha família.
Obviamente, isso não é um adeus, mesmo porque a literatura faz parte da minha vida. Entretanto, conforme os anos passaram, aquela mesma agressividade e melancolia deram lugar para a preocupação e alegria.
Preocupação porque quero o melhor para minha filha, que está chegando este mês. Alegria porque não vejo a hora de brincar com ela e acompanhar seu crescimento. E se há algo que venho pensando mais que escrever é nos passeios que farei com ela aos finais de semana – ou mesmo finais de tarde.
Não posso deixar de falar de minha esposa, que compartilha os mesmos medos e alegrias, e que juntos estamos ansiosos demais com a chegada de nossa vida.
É, definitivamente não sou mais o mesmo!